domingo, 16 de março de 2014
COMPRAS NO CENTRO
Atendendo ao pedido de Tia Carmem que tinha feito uma cirurgia recentemente, fui acompanhá-la a fazer compras para sua loja de artesanato no centro da cidade. Estava ao meu cargo dirigir e pegar as compras devido o peso. O lugar onde Tia Carmem faz as compras é no centro do Recife, num lugar conhecido popularmente como Vulco-vulco. O Vulco-vulco que é formado por ruas bem estreitas e becos recebeu esse nome pelo grande número de pessoas que circulam por lá, tornando o local uma bagunça, com milhares de vendedores, barracas e ambulantes, pura informalidade. No Vulco-vulco encontramos de tudo, roupas para crianças, adultos, obesos, tem calçados, acessórios, como óculos, relógios, cintos, material para criar artesanatos, caldo de cana, cachorro quente, pipocas, picolés e a novidade é o iakisoba, que também é vendido nas carroças e apesar da higiene precária é uma delícia, afirmo porque experimentei. O ambiente no centro é muito desordenado, misturam-se as barracas e carroças, clientes, pedintes, moradores de rua, crianças cheirando cola, prostitutas e traficantes. Digo sempre que os melhores locais para se fazer compras é a Feira da Sulanca, a Vinte e Cinco de Março e o Vulvo-Vulco, não necessariamente nessa ordem. Tia Carmem entra numa loja, enquanto fico observando aquele cenário, os atores, os ambulantes encenam para fazer uma venda, escuto os gritos “é três por uma”, diz o vendedor de pilhas, “mulher bonita não paga, mas também não leva”, brinca o vendedor de diademas e prendedor de cabelos, vejo que o vendedor de tapioca retira uma mosca que acabara de cair no coco já ralado. Três crianças brigam por uma garrafinha de cola. É dia, sol de rachar, vejo um senhor com o suor no rosto negociando com uma garota de programa. Mesmo com tanta desorganização e tudo sem controle aquele lugar me encanta pela diversidade de sons, de pessoas e de cheiros. Entre milhares de passantes uma mulher me chama atenção, era dia, o sol tava de rachar a moleira e aquela mulher sem idade explícita no rosto, toda vestida. Só pude ver os dedos dos seus pés, devido o tamanho da saia, que de tão longa limpava o chão. A blusa só não era capaz de cobrir as mãos. Os cabelos da mulher eram enormes, pelo que vi chegava a quase um metro de trança passeando pelas suas costas. Enquanto ela se aproximava, minha curiosidade aumentava sobre aquela anônima, imaginei que se tratava de uma evangélica, e logo confirmei quando ela passou com uma bolsa tira-colo e uma bíblia na mão direita. Uma mulher vestida daquela forma só poderia ser crente, evangélica. Acompanho a mulher e noto que ele sobe numa escada com destino a um sex shop. Tia Carmem me chama para ajudar a pegar as compras, peço que ela espere um pouco, pois to resolvendo algo. Achei a situação estranha e fiquei a espera da tal mulher que após meia hora sai da loja cheia de compras e diz... Meu Deus, entrei na loja errada.
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