sábado, 11 de outubro de 2014
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
segunda-feira, 23 de junho de 2014
sábado, 21 de junho de 2014
sexta-feira, 23 de maio de 2014
Boa Sorte!
Quem sabe amanhã, quem sabe
que o teu castelo desabe
e a mentira que escondias na face
realce com lágrima e poeira
quem sabe amanhã...
desligo do tempo perdido
sem apego a qualquer grão teu
e que minha frieza desague
no teu mar de lamento profundo
Quem sabe amanhã
que mundo te seja cruel.
domingo, 18 de maio de 2014
domingo, 16 de março de 2014
O AQUECIMENTO GLOBAL É A PESTE
Vizinho a Propriedade Sítio Grande existe uma propriedade que apesar de ser um dos sítios mais produtivos daquelas bandas, não tem nome. Inúmeras são as fruteiras, pés de todos os tipos de laranjas, mangueiras frondosas, jaqueiras que fazem sombra a um estádio de futebol, coqueiros, abacateiros, goiabeiras, lá tem tantas frutas que nem sei o nome de todas na memória. Sem contar com a parte das hortaliças, belos tomates, cebolas, berinjelas, as abóboras são imensas. Nessa propriedade ainda são criados diversos animais, alguns bovinos, cabras, bodes, galinhas de capoeira, porcos, mas o que mais chama atenção é um cavalo preto, sempre que vejo aquele bicho galopando me vem à lembrança Beto Carreiro, minha lembrança se faz pela aparência entre os eqüinos e o meu desejo infantil em conhecer o tal Parque. Fico imaginando porque todo mundo que tem propriedade pensa logo em colocar um nome para identificá-la, mas nesse caso o que identifica a Propriedade sem nome é a diversidade da sua produção e o fato dela também não ter um nome. Vive sozinho nesse sítio um senhor conhecido por Seu Natalício, aposentado, mas que vive numa labuta eterna. A casa é humilde, dois quartos, uma cozinha que é quase toda ocupada por fogão de lenha e uma sala minúscula com um aparelho de televisão e outros poucos móveis. Costumo freqüentar a casa do Seu Natalício, que eu mesmo batizei como meu Padrinho pela atenção que me destina, justamente por conta do precioso eletrodoméstico, que é utensílio raro naquela redondeza. É na hora do jantar, quando está começando o Jornal Nacional que apareço. É hábito comum entre moradores da zona rural fecharem as portas cedo, isso se deve ao grande número de insetos, besouros e muriçocas. Pego a lanterna, ilumino o caminho e sigo entre matos, bacuraus e vaga lumes uma caminhada de cerca de dez minutos até chegar à casa de Padrinho. Bato na porto e me identifico com um Benção Padrinho, cheguei para assistir o jornal, ele abre a parte superior da porta, creio que para conferir se sou eu mesmo e logo abre a parte de baixo. Ao ver a porta escancarada entro e me deparo com aquele ancião com o rosto marcado por anos de trabalho braçal completamente despido. Estava nu, igualmente criança recém parida. De inicio fiquei sem reação, calei por segundos, deu vontade de sorrir, não sabia se olhava nos olhos dele ou se reparava a senilidade das suas funções. Num instante fiz de conta que não tinha nada de anormal, sentei na cadeira de balanço, ele no sofá e continuamos a conversa, apesar do meu constrangimento. O velho estava mesmo nu, de corpo e de alma. Continuamos a prosa por alguns minutos até ele pedir licença e sair em direção ao quarto. Pensei com meus botões, ele vai vestir uma roupa. Sem demora ele aparece com um ventilador na mão, ainda pelado e diz, isso é um calor da peste.
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